segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Reforme Protestante


Contexto.


As transformações no processo de transição do feudalismo para o capitalismo, também atingem a cultura religiosa da Igreja. Novos tempos, novas crenças e uma outra visão da fé católica, em meio ao turbilhão de mudanças alguns religiosos inconformados propuseram que também era a hora de revolucionar a fé.
Em meados do século XVI desencadeou-se, a partir de membros da própria igreja católica, um movimento inicialmente de caráter religioso, mas que posteriormente teve repercussões políticas e econômicas. Conhecido como Reforma Protestante este movimento contestará a estrutura e os dogmas da milenar Igreja Católica resultando na "grande cisma do ocidente". Em paralelo com o Renascimento e a formação das Monarquias Nacionais europeias, a Reforma Protestante expressará a necessidade de adequação da religião aos interesses do sistema capitalista.


Os antecedentes.


Lutero afixa as 95 teses e revoluciona a fé. 
A fim de nos situarmos vamos pincelar alguns pontos importantes: A mentalidade, a burguesia e a formação das monarquias nacionais. Vamos começar pela mentalidade da época. No final da Idade Média, a população europeia convivia com o persistente medo dos castigos reservados aos pecadores, cujo destino era o inferno. Encontrar satanás era a ultima coisa que as pessoas tementes a Deus pretendiam. Esta angústia que atormentava corações e mentes na época era difundida pela própria Igreja, entretanto na prática o discurso era outro. Enriquecendo com a venda de indulgências (o perdão dos pecados) os membros do alto clero viviam no luxo e  praticavam a avareza (apego aos dinheiro e acúmulo de riqueza), o que contrariava a doutrina cristã e provocava profundo descontentamento de alguns dentro da Igreja.
Outro ponto diz respeito a formação da burguesia, até então a tímida "nova classe burguesa" formada pelos comerciantes estava insatisfeita com as atitudes eclesiásticas. Apesar de viver no luxo e na riqueza, a Igreja condenava a usura (empréstimo de dinheiro a juros) e o lucro em geral praticado pelos comerciantes, com essa postura a doutrina católica feria de morte a alma do negócio burguês e freava o desenvolvimento das atividades comerciais e bancárias. Na visão da burguesia era necessário um basta!
A formação das monarquias nacionais foi o terceiro ponto. A partir do estabelecimento das áreas de fronteiras na Europa, percebeu-se que a grande proprietária de terras era a Igreja e passou a ser vista como um poder externo interferindo nos assuntos nacionais das monarquias. Os atritos entre os reis e o papa passaram a ser constantes e resultavam, via de regra, em conflitos armados. Na ótica dos monarcas era necessário uma mudança de procedimento da Igreja, ou seja, menos interferência nos assuntos políticos das monarquias.






Os nomes da Reforma.
Calvino 
Muito antes do movimento reformista acontecer, vários religiosos fazem críticas à Igreja denunciando John Wycliffe (na Inglaterra), Jan Huss (na Boêmia - região da Alemanha)  e Zwinglio  na Suíça. E claro, os mais renomados:  Martinho Lutero, na Alemanha e João Calvino, francês que fixou-se na Suíça. Em geral eram as propostas em comum dos principais reformistas: condenavam a venda de indulgência, a opulência do clero, o afastamento dos ensinamentos cristãos.e favoráveis ao confisco dos bens da Igreja. Neste contexto, surgem os nomes que impulsionarão a reação contra os desvios da Igreja. No séc. XV, destacam-se precursores como Wyclife, nas suas acusações à Igreja traçava um paralelo entre a pomposidade das vestes dos clérigos e a simplicidade dos trajes de Jesus. Sua pregação incitava a igualdade entre os homens e atingiu em cheio a multidão de camponeses que entendeu perfeitamente  mensagem, fato que gera inúmeras revoltas pela Inglaterra.
  
Estas propostas dos "protestantes" chamaram a atenção tanto dos reis quanto da burguesia, pois encaixavam-se perfeitamente aos seus interesses políticos e comerciais respectivamente. Portanto burguesia e rei viam na Reforma uma possibilidade de mudar o poder a seu favor e contra o domínio da Igreja.


Lutero.
Martinho Lutero
"Trazei o dinheiro!! Salvai vossos antepassados. Assim que o dinheiro tilintar em nossa caixa, suas almas passarão imediatamente ao paraíso", este anúncio fazia parte da pregação da venda de indulgências na Alemanha e presenciado por Lutero. A indignação do monge agostiniano chegou ao limite em 1517, quando afixou na porta da catedral de Winterberg 95 teses condenando as práticas da Igreja. Chamado para retratar-se das suas "heresias", Lutero não renegou suas teses e terminou sendo excomungado pela Bula papal (documento do Papa que o condenou). Em represália Lutero queima a Bula em público e destila ácidas críticas ao estado de coisas que infectavam a Igreja, a começar pelo seu líder, o papa. Acusava o papa e o alto clero pela exploração da boa fé dos fiéis através da prática de sinomia, ou seja o comércio de artigos e serviços religiosos vendidos como relíquias sagradas, mas em verdade não passavam de falsificações. A esse respeito, em sua obra O Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdã escreveu: "Que diria São Jerônimo se pudesse ver o leite da Virgem exibido por dinheiro, recebendo tanta veneração quanto o corpo sagrado de Cristo. (...) Aqui temos o capuz de São Francisco , ali a saia de Nossa Senhora, ou o pente de Santa Ana... e tudo pela avareza dos padres e hipocrisia dos monges que brincam com a credulidade do povo".




A Venda das Indulgências tornou-se um negócio lucrativo.
Além é claro, da venda das Indulgências*, corrupção, libertinagem e falta de instrução do clero, formado em sua maioria por padres e nobres ricos que compravam cargos religiosos sem ter nenhuma formação para exercício do sacerdócio.  

*As indulgências eram uma espécie de "título da salvação", que na prática foi uma forma da Igreja arrecadar dinheiro comercializando-as e dando como contrapartida ao seu portador o perdão dos pecados, livrando sua alma do inferno e garantindo um lugar no céu. 


As bases da Doutrina.

Após a excomunhão exilado na região da Saxônia e protegido pelos príncipes alemães, Martinho Lutero desenvolve as bases da sua doutrina tomando como referência os princípios dos dois grandes teólogos da Igreja católica, no caso Santo Agostinho sobre a predestinação e de Santo Tomas de Aquino, a respeito do livre-arbítrio. Afirmava Lutero que a única saída para salvação é a fé, não havendo necessidade de intermediários (ou seja, o papa e o clero) entre Deus e o homem, portanto deveria o clero ser extinto. Além disso, o luteranismo, defendia a tradução da bíblia para o idioma local, a interpretação do livro sagrado pelos fieis e a submissão da Igreja pelo Estado.  Perceba que esta último conceito casava com os interesses dos governantes, principalmente a nobreza alemã, pois vislumbravam nesta a possibilidade de desvincular-se do alcance de poder do papa e acabar com a intromissão papal nos assuntos de Estado. A Igreja pressiona o imperador Carlos V, e em 1521 ocorre a Dieta de Worms, uma assembleia que condenou Lutero por heresia.  Ainda assim, o protestantismo continuou atraindo a simpatia dos nobres alemães. Tanto que, em 1529, a Dieta de Spira concede tolerância religiosa ao movimento luterano, mas impedia sua expansão. Esta limitação imposta pela Dieta de Spira gerou protestos dos nobres, é daí que vem o termo "protestantes". Somente em 1555, após anos de luta, foi firmado a Paz de Augsburgo que consolidou a liberdade religiosa ao protestantismo. Os bens da Igreja foram confiscados pelos nobres alemães, abrindo as portas para adoção do movimento religioso em outros Estados como a Dinamarca, Suécia e Noruega.


Os Anabatistas e os Calvinistas.


A expansão do movimento protestante foi rápida. 
As transformações do protestantismo não foram apenas de ordem geográfica, outros movimentos reformistas pretendiam provocar mudanças ainda maiores na sociedade, entre estes estava o que ocorreu em 1524: a revolta camponesa liderada pelo ex-discípulo de Lutero, Thomas Munzer, cujo seguidores conhecidos por anabatistas defendiam a utilização da revolta armada para acabar com a propriedade privada e a distribuição igualitária das riquezas. Lutero ficou do lado dos nobres (seus protetores), ao incentivar à repressão aos anabatistas resultando na execução de Munzer e pondo fim ao movimento. A Suíça foi sacudida pela Reforma através de Zwinglio, estudioso do luteranismo, propunha uma doutrina ainda mais radical. Em 1529 inicia-se uma briga entre católicos e protestantes que durou dois anos e ao final Zwinglio morre. Alguns anos depois, chegou a Suíça o religioso francês João Calvino, cujo nome emprestou a doutrina conhecida como Calvinismo. As particularidades deste movimento reformista são:
  • Reconhecia os princípios da predestinação - segundo o qual apenas alguns estão destinados à salvação, ou seja Deus escolhe quem será salvo. 
  • Justificava a salvação pela fé. 
  • Defendia o trabalho como fonte de salvação, via com bons olhos as atividades comerciais e bancárias, encorajando-as junto aos fiéis.
Importante observar que ao adequar a moral religiosa aos interesses da burguesia o Calvinismo encontrou grande aceitação em outros Estados europeus como na Inglaterra, onde os seguidores eram chamados de puritanos, na Escócia (de presbiterianos) e na França (de huguenotes).  


A Reforma na Inglaterra.

Henrique VII 
A reforma inglesa tem sua particularidade no contexto do movimento protestante, pois foi iniciada pelo rei Henrique VIII. A pretensão do rei era tomar para si o poder que a Igreja católica tinha na Inglaterra e vislumbrou em uma mulher a chave para executar o seu plano. Ao argumentar que após 18 anos de matrimônio com Catarina de Aragão (rainha espanhola) não havia lhe dado um herdeiro homem situação que colocava em risco a sucessão real inglesa, pediu ao papa a anulação do casamento. Esta petição de Henrique VIII criou enorme tensão com a Santa Sé. Via de regra o pedido seria atendido, porém o papa mais identificado com os interesses da monarquia espanhola nega o pleito do rei inglês. Inconformado, Henrique VIII rompe com a Igreja católica e é excomungado pelo papa. Em 1533, o parlamento inglês aprovou o divórcio do rei e este casou-se com uma dama da corte, chamada de Ana Bolena. No ano seguinte, Henrique VIII outorga o Ato de Supremacia confiscando os bens da Igreja e muitas propriedades eclesiásticas são fechadas, ao mesmo tempo em que funda a Igreja Anglicana, da qual é o líder religioso, neste aspecto vem a particularidade da reforma inglesa, o movimento de enfrentamento com a Igreja católica partiu do rei e não dos religiosos e teve vertente claramente mais política do que religiosa.
Contudo, a nova doutrina fundada pelo rei inglês não ficaria inume aos conflitos. Embora as propostas assemelhassem às do catolicismo foram duramente criticadas pelos puritanos, seguidores do Calvinismo na Inglaterra, situação que resultou em sérios embates.


A Contrarreforma.

Concílio de Trento discute e aplica as mudanças na Igreja
Podemos definir a Contrarreforma como o movimento de reação da Igreja católica à expansão das doutrinas protestantes.  O Concílio de Trento, convocado pelo papa  Paulo III trouxe algumas melhorias ao catolicismo, contudo reafirmou os dogmas católicos e condenou os movimentos protestantes. As reforma internas foram: Regular as obrigações do clero e conter o excesso de luxo praticado por membros da Igreja.
O instrumento de coação aos protestantes foi a instauração da Inquisição ( espécie de tribunal religioso com poder de sentenciar à morte os hereges) uma verdadeira "caça às bruxas".
O Index, foi uma providência adotada pelo Concílio de Trento para conter a proliferação de ideias profanas ao catolicismo, para tanto havia uma lista de livros proibidos aos católicos ou Index Librorum Prohibitorum. 
Embora não tenha conseguido êxito em acabar com o protestantismo, a Contrarreforma estancou sua expansão. Mas, no quesito disseminação da fé católica pelo Novo Mundo a empreitada foi exitosa, a partir do trabalho realizado pelas ordens religiosas, principalmente pela Companhia de Jesus ou jesuítas (símbolo está na imagem abaixo, a direita), fundada em 1534 por Inácio de Loyola conseguiu ampliar territorialmente a fé católica, inclusive aqui no Brasil. É graças ao trabalho de evangelização praticado pelos jesuítas que a América Latina atualmente é considerada o continente com maior número de adeptos do catolicismo.

         
 












A imagem ao lado retrata a Inquisição em Lisboa, muitos arderam na fogueira. O tribunal do Santo Ofício serviu como instrumento de repressão pela Igreja católica aos que professassem outra fé ou contrariassem o pensamento da Santa Sé.    

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A Idade Média e o Feudalismo

A Idade Média




Costuma-se a chamar de Idade Média o período que começa com a queda do Império Romano do ocidente em 476 d.C. e encerra-se em 1453 com a tomada de Constantinopla, então, a capital do Império Bizantino. O período medieval, em geral, é dividido em Alta e Baixa Idade Média.

  • A Alta Idade Média estende-se do séc. V ao X, que corresponde ao período de consolidação do feudalismo, o sistema socioeconômico predominante na Europa medieval.
  • A Baixa Idade Média inicia-se no séc. XI e encerra-se no séc. XV. Corresponde ao período do auge e da decadência do feudalismo, a partir de uma lenta transformação que resultou na substituição do modelo feudal pelo sistema capitalista.
Habitualmente costuma-se a relacionar a Idade Média como uma época de insignificante desenvolvimento científico, tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante o período do Renascimento quando criou-se a denominação de Idade das Trevas, neste particular devemos considerar o contexto da luta entre o pensamento do racionalismo Renascentista (baseado no resgate do pensamento clássico grego) contra o pensamento religioso da Igreja. Entretanto, devemos ponderar que o período medieval foi responsável por importantes contribuições em relação a produção agrícola, na área educacional (com a criação das universidades), além do desenvolvimento de movimentos artísticos como o romântico, o gótico e principalmente o Renascimento. 
O termo "Trevas" está mais relacionado ao distanciamento da razão do que necessariamente a ausência desta no contexto medieval, afinal uma parte das ideias e conceitos do período foram criados pelos doutos cuja fonte eram as obras clássicas gregas.   
A imagem ao lado é uma iluminura do século XV extraída do Livro das Horas do Duque de Berry, retrata o cotidiano do trabalho servil. 


A Formação do Feudalismo.

Entre o fim de Roma e a instalação do Feudalismo, a Europa foi varrida por uma onda de invasões dos povos bárbaros: os vândalos, os anglo-saxões, os lombardos, os francos e os árabes. Apesar de destruírem as instituições romanas, jamais conseguiram consolidar-se como Estado forte, a exceção dos árabes e dos francos. Importante ressaltar que o sistema de produção feudal não abarcava toda a Europa, foi mais comum na França e na Alemanha. 

Os reinos francos ergueram um vigoroso império na Europa Ocidental. Instalados na Gália, atual França, os francos finalmente fixam-se a partir do  século V, na região que outrora era uma província romana . 
A dinastia dos merovíngios foi a primeira tentativa de unificação dos francos, realizada por Clóvis que empenhou-se em conquistar terras e formalizar uma aliança com a Igreja Católica na ocasião de sua conversão ao cristianismo. 
Esta aliança com a Igreja solidificou-se quando a dinastia merovíngia conseguiu deter o avanço do islamitas na Europa através de Carlos Martel que liderou e venceu a batalha de Poitiers em 732 d.C. delimitando o território do império islâmico na Europa apenas à península ibérica (Espanha e Portugal). 

A dinastia dos carolíngios sucedeu os merovíngios ainda no século VII, e atingiu o apogeu com Carlos Magno, coroado imperador pelo papa, adquiri assim, a incumbência de disseminar e defender o cristianismo. Importante ressaltar que nesta época a Europa atravessava o processo de ruralização e descentralização do poder, elementos chave da formação do sistema feudal. A expansão territorial feita por Carlos Magno alcançou grande extensão da região central da Europa,mas após sua morte o império fragmentou-se e  a desintegração contribuiu para o aumento do poder da nobreza local, somado ao acontecimento das novas invasões bárbaras: dos normandos e saxões, permitiu a consolidação do feudalismo. 

Esta nova leva de invasões acentuou o clima de insegurança e instabilidade entre a nobreza. Como forma de defesa surge a construção dos grandes castelos, que funcionavam como fortalezas militares, em torno deles viviam a população pobre (servos do castelo) que buscavam proteção. A grosso modo pode-se afirmar que a instituição que seria o embrião dos castelos medievais foi a Vila Romana. Um modelo de organização rural romana que se assemelha a forma como foi organizado a propriedade feudal. Em razão da segurança os castelos situavam-se em regiões afastadas e de difícil acesso, esta situação cria a necessidade de produzir ali mesmo o que era preciso para sobreviver, ou seja, a autossuficiência voltada para a subsistência (produzir apenas o necessário para viver). A economia tinha a sua base na agricultura e a posse da propriedade (o feudo) determinada a condição de poder e social do indivíduo.

Os castelos surgiram como uma alternativa para proteção das pessoas contra as frequentes invasões na Alta Idade Média. 
Essas construções cercadas de muralhas de pedra tinham como principal função a defesa, mas também serviam de residência do senhor feudal e sede do poder no feudo. Situavam-se, em geral, no alto do vale a fim de ter uma ampla visão da região. A foto ao lado é do Castelos dos Mouros (Árabes) na região de Sintra em Portugal. Demonstrando que nem sempre foram os europeus que construíram castelos. 
Conquistar uma dessas construções não era tarefa fácil, dependia de muito esforço e perseverança do invasor para proclamar a frase: Entregue sua fortaleza. As paredes dos castelos suportavam fortes impactos, mas até a mais resistente sucumbiria se as fundações sofressem algum tipo de avaria. O método habitual era cavar tuneis até a parede. Uma vez encontrada a fundação, escava-se um buraco na base enchendo-o de material inflamável e reveste de lenha para iniciar o incêndio. Um bom exemplo foi o cerco ao castelo de Rochester, em 1215, na Inglaterra, utilizou-se a gordura de 40 porcos para atear fogo e demolir as muralhas.   




"Uns rezam, alguns lutam e outros trabalham."

A citação acima pode perfeitamente sintetizar as relações sociais e de poder existentes no feudalismo, pois as relações eram bem definidas a partir do sistema de obrigações e direitos. Abordamos antes que após a desintegração de Roma e do Império Carolíngio, o sistema feudal instala-se no continente europeu. 




Ao lado encontra-se a imagem de uma iluminura francesa do século XII retratando os três principais grupos sociais do feudalismo. Condizente com a citação "Uns rezam, alguns lutam e outros trabalham", a imagem corrobora que a função social de cada grupo na época medieval era bem demarcada, relacionando o papel de cada classe na sociedade com o tipo de atividade que desempenhava. Para tanto era necessário uma rigidez em relação a mobilidade social, costumava-se a dizer que o nascimento determinava a condição social do indivíduo, a classe social que uma pessoa nascia indicava quem ela era, ou seja quem nasce servo será servo e quem nasce nobre será nobre, embora existissem exceções a esta regra. Importante ressaltar que comerciantes e artesãos também faziam parte da sociedade feudal. Contudo, não se pode negar que além da servidão, a escravidão (foi a base do sistema econômico da antiguidade) estava presente, em pequena escala, no medievo. Era incomum mas ocorria. Outro ponto à considerar na "cultura" medieval é a relação entre trabalho e a classe social. Dentro do contexto da época o trabalho braçal era considerado degradante e portanto condizente com a condição servil e distante dos nobres e parte do clero. Esta justificativa tinha dupla função, ao mesmo tempo determinava o papel do servo como a principal força de trabalho e subjugava-o a cumprir o destino traçado por Deus, um tipo de determinismo, ou, em alguns  casos, fatalismo divino. Naquela época a desigualdade social fazia parte da ordem natural vigente e, portanto, não deveria ser alterada.      

Agora veremos como foi esse processo e de que forma a vida desenvolveu-se nesta época. Podemos definir o feudalismo como um sistema político, social, econômico e cultural que predominou na Idade Média. Entre suas características podemos apontar: 
# a descentralização do poder político; 
# a pouca mobilidade (engessamento) social; 
# autossuficiência econômica do feudo (era a unidade básica de produção da Idade Média)
a agricultura com base da economia e a principal força de trabalho era servil. 

A figura abaixo é uma representação da relação de suserania e vassalagem do feudalismo.



O poder político.

descentralização do poder era a principal característica política do feudalismo. A autoridade do rei era meramente figurativa, pois na prática o poder era exercido pelo senhor feudal (membro da nobreza) que recebia do rei generosas porções de terra (o feudo), em contrapartida era obrigado a dar proteção militar à realeza. 
Este costume chamava-se "beneficium" (derivado das instituições germânicas), tornou-se comum entre os nobres que passaram a doar as terras entre si numa cerimônia chamada de "homenagem", o vassalo - aquele que recebia a propriedade e em troca prometia fidelidade e proteção militar ao doador, chamado de suserano - aquele que doava as terras e por sua vez jurava proteção ao vassalo. Esse sistema de obrigações recíprocas denominou-se relações de suserania e vassalagem, e constituiu-se uma das principais características do feudalismo, que teve sua origem numa antiga instituição germânica chamada de "comitatus" (era a fidelidade mútua entre chefes das tribos). 
Outros costumes derivados das instituições romanas influenciaram a estrutura do poder político no feudalismo, como por exemplo o "colonato", obrigava a fixação do trabalhador à terra e justificava assim a situação de servidão do trabalhador. Assim é crível afirmar que o feudalismo é o resultado da união das instituições romanas e germânicas.


A organização social.     

A sociedade feudal estava estruturada basicamente em três níveis sociais: senhores feudais, clero e servos.
  • senhores feudais - eram os nobres, detinham o poder sobre as propriedades (feudos)  e o controle militar.
  • clero - eram os religiosos, formado pelo alto (nobres) e baixo (servos) clero.
  • servos - eram os trabalhadores rurais.
Entre as características da sociedade medieval podemos destacar: a mobilidade social era muito restrita, quase não existia, a divisão social era legitimada pela doutrina da igreja católica ao atribuir a estratificação e hierarquização à vontade de Deus.
Os servos não eram escravos, pois não pertenciam ao senhor feudal, não podiam ser vendidos ou negociados, mas estavam presos à terra em razão da sua condição de dependência a estrutura de produção do feudo, ou seja, em troca do direito de usar a terra, o servo tinha de prestar uma gama de serviços e pagar vários tributos, tais como a corveia, a talha e a banalidade. 
As idéias socialistas de Karl Marx não fariam sucesso na Idade Média, a final a desigualdade social entre as classes fazia parte da ordem natural vigente no período, e portanto não deveria ser modificada. A classe social de uma pessoa era determinada pelo seu nascimento, a posição social indicava o valor da pessoa. A título de comparação a vida de um nobre podia custar mais de 1200 xelins (moeda) enquanto a de um camponês em torno de 200.  
Além dos três grupos sociais, havia um outro pequeno grupo social na sociedade feudal, chamados de vilões, que moravam nas vilas, eram trabalhadores livres ligados a um senhor.


A economia.

O feudo era a unidade básica de produção no sistema feudal, e a agricultura era a base da economia. A atividade econômica era voltada para o consumo interno, o feudo adotava a autossuficiência e a produção de subsistência. O comércio era praticamente nulo. As transações eram a base de trocas de produtos (o escambo), apesar de existir uma incipiente atividade monetária (uso de moedas). Lembrar que em razão da insegurança os feudos usam o isolamento como forma de preservação da integridade física, razão pela qual o contato com outros feudos era raro, obrigando assim, a adoção da autossuficiência econômica.
A estrutura básica de um feudo era constituída pelo manso senhorial (terras exclusivas do senhor feudal), manso servil (usadas pelos servos desde que pagassem tributos pela utilização), manso comum (utilizada por todos, eram os bosques e os pastos), o castelo (morada do senhor feudal), casa dos servos. Veja a figura abaixo.
  

           
O poder da igreja: corações e mentes a serviço da fé.

Na idade Média, é ponto pacífico que nenhuma instituição era tão rica, bem organizada e influente quanto a igreja católica. A impressão que deveria passar àquele que entrava num templo católico naquela época era algo parecido com a visão dos portões do paraíso. Se havia uma luz na escura Idade Média, seu clarão apontava ao encontro com Deus. A única salvação possível para toda e qualquer alma do período medieval estava na fé católica. Neste contexto, de chegar o mais próximo possível de Deus, surge a arquitetura gótica, erguendo catedrais imponentes tanto em dimensão quanto em ostentação. Com a suntuosidade cênica dos vitrais que permitiam a entrada da luz criando uma atmosfera celestial nos templos que guardavam relíquias sagradas de Cristo.


VITRAL DA CATEDRAL DE NOTRE DAME - PARIS
A arquitetura gótica foi instada promover a criação de uma atmosfera mística. Ostentar mais do que um simples efeito visual era uma simbologia de poder onipotente.   
Desde que o Imperador romano Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do Império em 391 d.C., a igreja acumulou fortunas e enormes porções de terras. Bem organizada e presente em quase todas as regiões da Europa, os seus membros dedicaram-se a converter os bárbaros ao cristianismo e promover a sua integração ao sistema de poder vigente.
Além de deter o poder espiritual, econômico e político, os religiosos faziam parte de uma elite letrada que monopoliza o conhecimento medieval. A ponto da filosofia ser confundida com a teologia cristã, através das ideias de seus maiores expoentes como: Santo Agostinho, Tomas de Aquino e Abelardo. Com tanto poder nas mãos, os sacerdotes não se davam por satisfeitos e queriam mais. A fim de manter a coesão da vida era necessário o auxílio divino. Neste ponto entravam os nobres reis medievais, quando na cerimonia de coroação o novo monarca era ungido com o óleo sagrado e a benção da igreja, marcando assim o seu direito de governar sancionado por Deus e portanto estava justificado o poder do governante sobre o povo.
Outra forma da Igreja impor seu poder foi através do pretexto de combater as heresias (eram práticas contrárias à doutrina da católica) através dos tribunais do Santo Ofício, mais conhecidos como Inquisição.  Símbolo máximo da repressão a Inquisição tornou-se uma espécie de justificativa para livrar o rei e papa de pessoas incômodas. Com poderes para julgar e sentenciar à morte os réus considerados infiéis os tribunais quase sempre condenavam aqueles que discordavam dos desmandos da Igreja ou de seus aliados. As vítimas mais famosas da Inquisição foram: Joana D'arc, sentenciada a morte na fogueira e Galileu Galilei condenado a retratar-se diante da Igreja devido a suas descobertas científicas. 

Outro evento que em princípio foi de natureza religiosa, mas fortemente influenciado pelo poder político foram as Cruzadas. A ideia foi associada ao resgate da terra santa em poder dos infiéis, contudo a necessidade de obter mais terras pela nobreza estava escamoteada pela justificativa da fé. Outro evento que moldaria a sociedade medieval foi o surgimento de uma praga que ameaçaria velho mundo: A Peste Negra. Em um tempo em que a religião exercia grande influência na vida cotidiana do povo as proporções da pandemia sugeriam que era manifestação de Deus decepcionado com a humanidade. Vários movimentos apocalípticos apareceram e muitos se perguntavam: "Seria o final dos tempos?"  A intensa participação dos religiosos nos assuntos terrenos provoca a reação de alguns segmentos da cristandade contrários a esta postura pouco evangelizadora do clero regular. Nasce então as ordens religiosas monásticas, também conhecidas como clero secular. Viviam isolados, reclusos em mosteiros e abadias, praticavam votos de pobreza e castidade, dedicavam-se a vida simples envoltos em orações e ao trabalho intelectual, além  da transcrição de obras da antiguidade clássica realizadas pelos monges copistas. Entre estas ordens religiosas uma das mais antigas foi a dos Beneditinos, fundada por São Bento, em 525 d.C. Posteriormente surgem outras ordens como os Franciscanos, Carmelitas e Jesuítas. 


Observe na imagem a altura da Igreja em estilo gótico do Convento de Santa Maria da Vitória, em Batalha -  Portugal. 







Exercícios
1- O aumento da circulação de moedas principalmente nas cidades, foi importante fator para a crise no Feudalismo porque:

a) desarticulou o sistema de trocas de mercadorias, característica principal do feudalismo;
b)provocou o êxodo rural (fuga da zona rural em direção às cidades). Muitos servos passaram a comprar sua liberdade.
c) criou impostos, proporcionados pelo desenvolvimento comercial, os reis passaram a contratar exércitos. 
d) com o surgimento da burguesia, nova classe social que dominava o comércio e que possuía alto poder econômico. 
e) o contato da Europa com o Oriente, quebra o isolamento do sistema feudal e aumenta a troca de mercadorias.




2- “No final do século XV, o feudalismo encontrava-se desarticulado e enfraquecido. Os senhores feudais perderam poder econômico e político”. Estas transformações determinam uma importante transição entre períodos da História, a passagem do Feudalismo para o Capitalismo. Assinale a alternativa que não faz parte deste contexto histórico:

a) Renascimento comercial e urbano;  
b) O final das cruzadas; 
c) O desenvolvimento do comércio dinâmico a partir do Mar Mediterrâneo;                                      
d) O surgimento do operariado como grupo social urbano.
e) O surgimento da burguesia como uma nova classe social



3- O aparecimento da Burguesia, no fim da Idade Média, está intimamente ligado à atividade:


a) agrícola          b) industrial           c) manufatureira          d) comercial             e) financeira




4-Podemos afirmar que são características do Absolutismo:

( ) Reis com poderes totais – centralizavam o comando político, justiça, economia e sociedade.   
( ) Os reis eram escolhidos através do voto popular.
( ) transmissão hereditária de poder. 
( ) geralmente usavam da violência e promoviam injustiças para governar.
( ) sistema democrático no qual o povo escolhia o seu governante através do voto. 

Assinale a sequencia correta e depois marque no gabarito:
 a) V,F,V,F,V            b)V,V,V,V,V          c)F,F,F,F,F            d)F,V,F,V,V           e)V,F,V,V,F


RESPOSTAS:
1-A / 2-D / 3-D / 4-E

quarta-feira, 8 de julho de 2015

ROMA - Proprietas of orbis terrarum.



Roma (Resumão)   – Proprietas of orbis terrarum (Os Donos do Mundo)                             

                                                                         
Localizada na Península Itálica, Europa. Nenhuma civilização ocidental foi tão poderosa e por tanto tempo exerceu domínio militar, político, cultural, etc., quando a romana. Do idioma à organização política e jurídica o legado dos romanos é imenso. Interessante que ainda hoje, percorrendo as ruas de Roma podemos notar nas tampas dos bueiros do sistema de abastecimento de água a abreviatura SPQR, a mesma insígnia que estampava nos estandartes das legiões romanas nas batalhas (em latim Senatus Populus Que Romano, ou seja, Senado do Povo de Roma). O Senado era a instituição fundamental da política romana – centro do poder principalmente no período republicano -, foi daí que originou o modelo dos atuais parlamentos (inclusive no Brasil).  

                       Gravura mostra a extensão do Império Romano durante o governo de Otávio Augusto.



OrigensA Lendária e a Histórica.

A fundação de Roma apresentava características míticas, segundo a lenda os gêmeos órfãos Rômulo e Remo foram colocados em um cesto no rio Tibre para escapar da morte certa. Sobreviveram graças a uma loba que os amamentou, até que um pastor os encontrou e os criou. Já adultos Rômulo e Remo retomam o controle da região do Lácio e em troca recebem terras nas margens do Rio Tibre. A partir deste episódio tem início a fundação de Roma. Em uma disputa Rômulo matou Remo e tornou-se o primeiro rei de Roma. Rômulo era considerado o filho de Marte, deus da guerra, não por acaso a vocação militarista será uma das bases do esplendor à queda de um imenso império. Um fato interessante da História da civilização romana é que o primeiro rei foi Rômulo e o último também. Rômulo Augusto foi deposto em 476 d.C. por Odoacro, o líder dos hérulos.
                                                                                                                                                                                                                       A loba capitolina ainda hoje é o símbolo da Cidade Eterna, como é chamada Roma.


Entretanto pelas pesquisas históricas sabe-se que a região do Lácio era habitada por povos latinos, em sua maioria pastores que, para se defenderem de possíveis invasões, se estabeleceram nas colinas próximas ao rio Tibre. Sentindo-se ameaçados, os latinos se uniram sob a liderança de uma das aldeias, no caso Roma. Roma foi dominando todos os povos da península itálica, unificando-os sob seu poder. A partir daí, os romanos expandiram-se para fora da península.
Podemos resumir a trajetória da história política de Roma nas seguintes fases: Monarquia, República e Império.


A Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.)


A monarquia teve início com a fundação da cidade de Roma, e Rômulo foi o primeiro rei. Segundo a tradição, Roma teve sete reis.

Aspectos da Monarquia romana.

Política.
Os reis eram escolhidos pela Assembléia Curial e tinham o poder político real limitado pelo Senado.
Assembléia Curial: formada por cidadãos* em idade militar (patrícios) que escolhiam os reis, além de fazer e votar as Leis.
Senado (ou Conselho dos Anciãos): um órgão consultivo que tinha o direito de aprovar ou não as leis elaboradas pelo rei.

*Entenda que nesta fase de Roma o conceito de cidadão era semelhante ao que se praticava na Grécia e definido por Aristóteles, ou seja estava vinculado a cidade. Posteriormente a ideia de cidadão irá ampliar-se para tudo que era referente ao Civitas ou civis romanos. Civis romanus sum (sou cidadão romano), foi como Cícero citou a importância desta condição cidadão em Roma.


Social.
A sociedade romana era formada pelos:
patrícios — eram os aristocratas, os grandes proprietários de terras, os únicos que podiam ocupar cargos políticos, religiosos e militares.
clientes eram os plebeus apadrinhados dos patrícios aos quais deviam obediência, geralmente prestavam serviços não braçais ou domésticos (serviam na casa do patrício). 
plebeus — Eram maioria. Homens livres, mas considerados "estrangeiros" na política; não tinham direitos políticos. Eram pequenos agricultores, pastores, comerciantes e artesãos.
escravos — em número reduzido, originados dos povos conquistados eram considerados "coisa" (res).

Economia.
Na época da realeza/monarquia, a base da economia era a agricultura, além da atividade pastoril. A produção de manufatura doméstica (como a de armas e utensílios) bastava para as necessidades mais imediatas e voltada para o consumo local. Como havia pouco excedente (sobras), o comércio era reduzido. 

O fim da Monarquia.
Em 509 a.C., um choque de interesses em relação ao poder entre o rei e a aristocracia provocou o fim da monarquia. O rei queria autonomia total, mas as assembleias desejavam manter o controle sobre o monarca. Nesta queda de braço, o rei foi deposto por um golpe dado pelos patrícios.


A República (509 a.C a 27 d.C.)


Com o golpe político, os patrícios implantaram na cidade de Roma a forma de governo republicano*. O Poder Executivo era exercido pelos magistrados, eleitos por um ano. Entre os diversos tipos de magistrados que existiam em Roma, destacam-se:

cônsules — em número de dois, comandavam o exército e eram os chefes dos demais magistrados. Em época de guerra, eram substituídos por um ditador, com mandato de seis meses;
pretores — cuidavam da Justiça;
censores — faziam o censo dos cidadãos, com base na sua riqueza;

questores — encarregados da arrecadação de tributos;

edis — responsáveis pela preservação, pelo policiamento e pelo abastecimento das cidades.


O Senado era o órgão que detinha maior poder, composto de senadores vitalícios. Eram suas atribuições: elaborar as leis, cuidar das questões financeiras e religiosas, conduzir a política externa, administrar as províncias, participar da escolha do ditador em períodos de guerra externa.




Sessão do Senado - Senadores eram representantes do povo de Roma.


As Assembleias eram em número de três:
Curial — examinava os assuntos de ordem religiosa;
Tribal — responsável pela nomeação dos questores e edis;
Centurial — composta pelas centúrias, grupos de militares encarregados de votar as leis e eleger os magistrados.


*O termo República foi extraído da obra Diálogos de Platão (filosofo grego) πολιτείa que quer dizer politeia foi definida/traduzida para o latim por Cícero como res publica ou "coisa pública"


As lutas sociais na República romana

Na época da República romana, a plebe passou a exigir direitos políticos, o que provocou uma série de conflitos. Eles tiveram inicio quando, em 490 a.C., os plebeus formaram um exército próprio, retiraram-se de Roma e foram para o Monte Sagrado (o Monte Aventino).
Os patrícios necessitavam dos plebeus nas atividades econômicas e militares e, por isso, cederam às suas exigências, aceitando que tivessem representantes no Senado — seriam os tribunos da plebe. Os tribunos podiam vetar leis que considerassem contrárias aos interesses plebeus.
Mais tarde, os plebeus conseguiram outros direitos. Foram elaboradas as Leis das Doze Tábuas, as primeiras leis comuns para patrícios e plebeus. Em 445 a.C., passou a ser permitido o casamento entre patrícios e plebeus e foi abolida a escravidão por dividas.
Mas as lutas continuaram e, em 367 a.C., os plebeus conquistaram o direito de participar do consulado. A partir daí, passou a haver um cônsul patrício e outro plebeu. Em 287 a.C., a plebe, mais uma vez retirando-se para o Monte Sagrado, impôs aos patrícios que as leis aprovadas pela Assembléia da Plebe fossem válidas para todo o Estado romano — era o plebiscito ou decisão da plebe.


As conquistas da República romana - As Guerra Púnicas

Durante o período republicano, Roma, com um exército bem treinado e bem armado, conquistou inúmeras regiões, formando um grande império. As conquistas iniciaram-se pela própria península Itálica. Com suas legiões, os romanos, em aproximadamente 200 anos, dominaram os povos que viviam na região.
Para controlar o mar Mediterrâneo, os romanos tiveram de enfrentar Cartago, antiga colônia fenícia no norte da África. Os cartagineses haviam alcançado grande prosperidade e seu comércio era feito com diversos lugares do mundo conhecido. O senador Catão antes de iniciar seus discursos dizia “Delenda Cartao est” (Cartago deve ser destruída). As três guerras entre Roma e Cartago são conhecidas como Guerras Púnicas e duraram de 264 a.C. até 146 a.C. Neste ano, os romanos tomaram Cartago, escravizaram cerca de 40 mil pessoas e transformaram a cidade em uma província romana.
Continuando com a política de conquistas, Roma conquistou a Macedônia e a Grécia. Em 133 a.C., a península Ibérica foi dominada e, no século I a.C., os romanos tomaram a Bitínia, a Síria, o Egito e toda a Gália. Desse modo, o mar Mediterrâneo transformou-se no Mare Nostrum. Roma reunia sob seu domínio povos de culturas diferentes. As regiões conquistadas foram transformadas em províncias e eram obrigadas a pagar altos tributos a Roma.
Após as Guerra Púnicas os romanos conseguiram o domínio do comércio marítimo no Mediterrâneo.










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A Expansão Territorial de Roma.

Gradativamente, formaram um imenso império, transformando o mar Mediterrâneo num verdadeiro “lago romano", como eles diziam, o Mare Nostrum (Nosso Mar). Dotado de exército bem preparado e organizado os romanos iniciam as conquistas, seus soldados guardavam as fronteiras e sufocavam possíveis rebeliões. As legiões romanas eram formadas por cidadãos romanos e cada uma delas tinha 5 mil soldados, divididos em unidades as centúrias. Era através das guerras que Roma aumentava seu território e também a quantidade de contribuintes que pagavam tributos ao Estado. Os romanos exploravam os povos vencidos, extraindo riquezas de seus territórios (ouro, prata e outros metais) ou fazendo comércio com eles. Formou-se um impressionante sistema de estradas, com mais de 85 mil quilômetros. O transporte e o comércio também eram feitos por mar.
Não menos importante, era o grande fluxo de escravos para servir de mão de obra e distrair a população. Muitos escravos batalhavam pela vida nas lutas entre gladiadores nas arenas. O Coliseu era a mais famosa destas Arenas. Quando a situação política estava tensa, os líderes romanos convenientemente decretavam feriados e realizavam festas no Coliseu com distribuição de pão para o povo, era chamada política do Pão e Circo utilizada para desviar a atenção da população dos graves problemas.


Conseqüências das conquistas romanas

O Império Romano durou cerca de 700 anos, mas a civilização romana sobreviveu muito mais. O latim, falado pelos romanos, foi a língua escrita de todos os europeus educados até o século XVI. Da mistura do latim vulgar, falado pelo povo, com a língua dos povos de várias regiões conquistadas, originaram-se as línguas neolatinas. As principais são o francês, o italiano, o espanhol, o romeno e o português. Muitas línguas européias modernas, como o inglês, apesar de não terem se originado do latim, apresentam muitas palavras de origem latina.
As conquistas provocaram inúmeras transformações econômicas, políticas e sociais:
• enriquecimento dos patrícios, que se apossaram das terras dos pequenos proprietários, recrutados para o serviço militar;
• aumento do número de escravos. Os prisioneiros de guerra, reduzidos à situação de escravos, substituíram o trabalhador livre. Os desempregados do campo migraram para as cidades;
• formação de uma nova camada social, a dos cavaleiros ou classe eqüestre. Eram plebeus que enriqueceram cobrando impostos e fornecendo víveres ao exército e que ganharam autorização de explorar novas terras, ricas em minérios;
• empobrecimento dos pequenos proprietários, pois muitos produtos das regiões dominadas chegavam a um preço muito baixo, competindo com a produção local.


A crise da República

Modelo exitoso, a República romana, esteve de pé por séculos. Nada parecia abalar suas estruturas, até que o assassinado de um membro, o tribuno da plebe Tibério Graco, pelos integrantes do Senado faz desabar a estabilidade . Era o fim da democracia e o surgimento do Império. Associado a crise política, outro fator importante foi o aprofundamento crise após as conquistas territoriais, que marcou o seu declínio da República. Nesse período, destacam-se os seguintes acontecimentos: as reformas dos irmãos Graco, os governos de Mário e Sila e os triunviratos.



Os irmãos Graco – Os tribunos da plebe


Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos sucessivamente como tribunos da plebe, preocupados com os problemas sociais que se agravavam, propuseram reformas sociais:

• Tibério Graco, em 133 a.C., conseguiu a aprovação de uma lei que limitava o tamanho das terras dos aristocratas e autorizava a distribuição entre os pobres da área que ultrapassasse o limite estabelecido. Essa lei desagradou aos grandes proprietários de terras, que por acaso eram também senadores. Com a aprovação do povo a lei foi confirmada. Quando Tibério se candidatou à reeleição os senadores o espancaram até a morte e 500 de seus partidários foram assassinados. Apesar da lei considerar um sacrilégio, ninguém foi punido pelo crime, a justificativa dos senadores foi que Graco ameaçava à liberdade da República. 
• Caio Graco, em 123 a.C., retomou o projeto de reforma agrária. Conseguiu a aprovação de uma lei que aumentava a participação da plebe na administração do Estado. Também conseguiu que o preço do trigo fosse reduzido. Sofreu oposição dos grandes proprietários e suicidou-se. Seus seguidores foram perseguidos e muitos foram condenados à morte.
Os desdobramentos dos assassinatos dos Gracos foram devastadores, pois a partir de então as tribunas perderam seu caráter sacrossanto e o homicídio já não era mais um modo impensável de conseguir os objetivos políticos

Os governos de Mário e Sila.

No período de 136 a 132 a.C., aproximadamente 200 mil escravos armaram-se e rebelaram-se. Muitos morreram, e a
maioria foi submetida por seus proprietários. Com o aumento da instabilidade política, diversos militares passaram a disputar o poder. Nessa época, Roma conheceu os governos militares e autoritários dos generais Mário e Sila.


• Mário defendia a camada popular. Diminuiu os privilégios da aristocracia e estabeleceu o pagamento de salários aos soldados, o que levou à entrada de pessoas pobres no exército.

• Sila substituiu Mário e defendia a camada aristocrática. Perseguiu a classe popular e restabeleceu os privilégios dos aristocratas.





Primeiro Triunvirato


Após a morte de Sila, dois generais, Crasso e Pompeu, foram eleitos cônsules. Crasso havia enfrentado e vencido uma revolta de 80 mil escravos liderada por Espártaco, e Pompeu tinha derrotado os partidários de Mário na península Ibérica.

Com o objetivo de diminuir o poder do Senado, Pompeu aliou-se a Crasso e Júlio César e os três tomaram o poder, instituindo o Primeiro Triunvirato. Pompeu ficou com Roma e o Ocidente, Crasso com o Oriente, e Júlio César era o responsável pela Gália. Após a morte de Crasso, Pompeu deu um golpe de Estado, conseguindo do Senado sua nomeação para o cargo de cônsul único. César, que estava na Gália, voltou para Roma, com o objetivo de enfrentar Pompeu. Após sua vitória, César foi aclamado ditador vitalício.


Governo de Júlio César

O governo de Júlio César caracterizou-se pela tentativa de reduzir o poder do Senado. Promoveu várias reformas: diminuição dos abusos na arrecadação de impostos, extensão do direito de cidadania a vários povos, construção de estradas e reformulação do calendário (adotou o seu nome para o sétimo mês do ano). O Senado, contrariado com seus poderes, armou uma conspiração e, em 44 a.C., Júlio César foi assassinado nas escadarias do senado. Segundo a historiografia ao notar que entre os seus assassinos estava o seu filho adotivo Brutus, Júlio César antes de morrer teria dito “até tu filho”.
Segundo Triunvirato
Contudo, no ano seguinte, os partidários de César organizaram um novo governo forte, o Segundo Triunvirato, formado por Otávio, Marco Antônio e Lépido. Os triúnviros dividiram entre si a administração do império: Otávio ficou com Roma e o Ocidente, Marco Antônio recebeu o Oriente e Lépido ficou com a África, porém foi deposto em 36 a.C.
Nesse mesmo ano, Marco Antônio foi para o Egito e envolveu-se com a rainha Cleópatra. Otávio declarou Marco Antônio inimigo de Roma e partiu para o Oriente, a fim de combatê-lo. Otávio saiu vitorioso, e Marco Antônio e Cleópatra suicidaram-se. Otávio assumiu o poder. Recebeu do Senado vários títulos, entre eles os de Imperador, César e Augusto. Iniciava-se, assim, o Império.

O Império (27 a.C. a 476 d.C.)
O imperador detinha poderes absolutos. Exercia o comando do exército e legislava por meio de editos, decretos e mandatos. Ao Senado restou a posição de conselheiro do imperador. Otávio, o primeiro imperador, governou de 27 a.C. a 14 d.C. Em seu governo:
• foi criada a Guarda Pretoriana (elite da tropa), com a função de dar proteção ao imperador e à capital;
• foi dado incentivo à agricultura, ao comércio e à indústria;
• foi organizado um novo sistema de impostos;
• foram construídas várias obras públicas, o que gerou muitos empregos para os plebeus.
A paz, a prosperidade e as realizações artísticas marcaram o governo de Otávio Augusto, tanto que este período é conhecido como a “Pax Romana”. O século I, do qual fez parte o seu governo, ficou conhecido como o Século de Ouro da Literatura Latina, ou o Século de Augusto. Seu ministro, Mecenas, tinha grande interesse pelas artes e apoiou, entre outros, os escritores Horácio e Virgílio.


No governo de Otávio, nasceu na Palestina, uma das províncias romanas, Jesus Cristo. Posteriormente, seus ensinamentos começaram a ser difundidos em várias partes do Império, dando origem ao cristianismo.

Para ganhar popularidade, Otávio adotou a política do pão e circo. Distribuía trigo para a população pobre e organizava espetáculos públicos de circo para diverti-la.

Os sucessores de Otávio


Após o governo de Otávio, o Império Romano foi governado por várias dinastias que, em geral, levaram-no à instabilidade política, econômica e social.

Dinastia Júlio-Claudiana (14-68) — período marcado por conflitos sangrentos. O imperador Nero foi responsável por incendiar Roma e pela perseguição aos cristãos.

Dinastia dos Flávios (69-96) — os imperadores desta dinastia contaram com o apoio do exército, submeteram o Senado e governaram de forma despótica.

Dinastia dos Antoninos (96-192) — período considerado de apogeu. O império atingiu sua maior extensão territorial, acompanhada de prosperidade econômica. O comércio se desenvolveu e houve grande afluxo de capitais para Roma.

Dinastia dos Severos (193-235) — houve crises internas, fuga da população urbana para o campo, falta de dinheiro, inflação e pressão dos povos bárbaros nas fronteiras. O processo de instabilidade levou ao declínio do Império.



A implosão do Império Romano – A Crise do Império

Atribui-se como principal causa da decadência a crise no sistema Escravista. Habitualmente a pergunta que se faz é porque o Império Romano desabou. Contudo muitos estudos sugerem um outro questionamento mais intrigante: Como foi possível diante de tantas crises, Roma durar tanto tempo? Em verdade podemos colocar a seguinte cadeia de eventos para explicar sucintamente o fim do Império romano: 
Com o fim das guerras de conquista ocorreu a diminuição do afluxo de riquezas, paralelamente a diminuição da oferta de escravos, que se tornaram muito valorizados e assim afetou seriamente a economia visto que o trabalho escravo era o pilar de sustentação do sistema de produção econômica . Embora diversas tentativas fossem adotadas para resolver a crise, mas não surtiram efeito. 
Em 284, Diocleciano implantou a Tetrarquia (governo de quatro pessoas) a fim de facilitar na administração de um império imenso. Mas a medida resultou em retumbante fracasso e acirrou ainda mais a crise, devido a disputa de poder pelos quatro reis.
Ano Domine 337, o imperador Constantino está morrendo e toma uma decisão que mudará para sempre a História de Roma. "A hora pela qual muito ansiava chegou e com o desejo sincero e orações que quero obter a salvação com Deus." O homem mais poderoso do Ocidente faz algo antes impensável: converte-se ao cristianismo. Durante séculos o cristianismo foi combatido e perseguido pelo Império Romano, mas agora não é mais problema ser cristão o imperador aceita e legaliza o cristianismo. A intenção de Constantino era buscar apoio dos cristãos, uma religião que passou de alguns milhares de adeptos para quase 6 milhões. Antes, em 330, transfere a capital do império para Constantinopla - atual Istambul, na Turquia.

Porém, era cada vez maior a pressão exercida pelos povos bárbaros (estrangeiros) nas fronteiras do império, quando em 476, Roma foi tomada pelos germânicos. Era o fim do Império Romano do Ocidente. O Império Romano do Oriente, também conhecido como Bizantino, duraria até 1453, quando foi dominado pelos Otomanos.
O Coliseu foi palco de espetáculos promovidos pelos imperadores para “divertir” o povo com a encenação das batalhas e  lutas mortais entre os gladiadores. Antes de entrar em luta os gladiadores dirigiam ao imperador a seguinte frase: Ave Cesar os que vão morrer te saúdam.  Nos primórdios do cristianismo muitos de seus seguidores eram lançados as feras na arena.



Cultura e legado – Conheça algumas criações dos romanos e a herança que nos deixaram em diversas áreas;
ARQUITETURA   Empregada para exaltar as glórias da nação, a arquitetura era a mais desenvolvida arte romana. Alguns elementos bastante utilizados eram os arcos e as colunas – de influência grega. Os romanos destacaram-se na construção de aquedutos, estradas, pontes, além de edificações de grande valor artístico, como o Coliseu e o Panteão em Roma.
DIREITOCom o idioma – o latim, que é a base de línguas atuais como o português, espanhol e italiano -, o direito é o maior legado romano. Dividido em civil, que regulamentava a vida dos cidadãos; Em estrangeiro, aplicado aos que não eram cidadãos; e o Natural, que regulamentava a vida de todos os habitantes de Roma, este é a base do atual sistema jurídico ocidental
LITERATURADurante séculos, a literatura latina era basicamente a grega. A partir do fim do período Republicano, no entanto, os autores romanos começam a produzir obras originais e importantes Escritores como Virgílio, autor de Eneida, os dramaturgos Plauto e Tito Lívio, que escreveu o patriótico História de Roma.
RELIGIÃOOs romanos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. Essas divindades se tornaram muito semelhantes às gregas, após o contato com esta civilização. A pregação de Jesus Cristo, nascido numa província do Império, deu origem ao Cristianismo, cujos seguidores eram perseguidos. Com a conversão do imperador Constantino, em 313, a religião cristã ganhou força e apoio do estado, situação que permitiu o surgimento da poderosa Igreja Católica ao aproveitar a estrutura organizacional romana para estruturar-se.



Ruínas do Fórum Romano. Era o centro do poder do Império, local das decisões políticas e intrigas palacianas. Do legado deixado por Roma encontra-se os princípios do Direito Natural, base jurídica da maioria das nações ocidentais.

A divisão do Império


Ainda no século IV, os romanos assistiram às primeiras levas de bárbaros cruzarem as fronteiras do império à procura de terras para o cultivo e o pastoreio.

Teodósio, em seu governo, preocupado em melhorar a administração, em 395, dividiu o império entre seus dois filhos:

• O Império Romano do Ocidente, com capital em Roma;

• O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla.



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